quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Torpor


(Uma singela homenagem ao estranho dos meus sonhos...)


Desliga o computador e vai até o banheiro, tira a roupa, solta os cabelos...
Nada como água fria para despertá-la deste estado de constante torpor.
Frio, muito frio, lá fora a chuva cai forte,
Seu corpo todo se põe a tremer, sente-se invadida, violada em seu sentimento, em sua tranqüilidade...
Ah Noelle! Mulher tola acreditava-se tão forte, tão dona de si... Nem dona de seus pensamentos é mais. Enrola-se em uma toalha, deita-se no sofá, e deixa o vento úmido que entra pela janela acariciar seu corpo. Quanto tempo permaneceu assim? Não saberia responder.
 Despertou com passos leves e suaves, quase inaudíveis, passos de uma lembrança, um fantasma, uma inspiração... Sentiu alguma coisa crescer em seu âmago. Medo? Não, algo entre ansiedade e apreensão, não medo. Continuou deitada na mesma posição. Os passos foram se aproximando, e ela imóvel arrepiada olhando pela janela, a chuva havia parado e dava para vislumbrar algumas estrelas entre nuvens, entrelinhas, entre uma piscada e outra. De súbito os passos pararam, um ar quente percorreu suas costas, cerrou os olhos no mesmo instante em que uns dedos tocaram seu pescoço, percorreram seu rosto e pousaram em seus lábios, um hálito quente com aroma de licor, não de qualquer licor, mas um, impossível de ser encontrado. Seus músculos se retesaram, foi preciso muito esforço para abrir os olhos, tinha medo do que veria... Não viu. Ao abri-los, uma luz radiante cegou-a por alguns minutos. Céu azul, e os primeiros raios de sol aqueciam seu corpo totalmente despido da toalha...

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