Ela era pequenina como se tivesse uns cinco anos, mas na verdade tinha oito, o tamanho diminuto se dava pela má alimentação, pelos maus tratos incutidos pela mãe, pelo pai que, se quer, a conhecia, pela sociedade como um todo.
Voltava para casa sozinha com uma sacola de frutas murchas que conseguiu ganhar ao final da feira. Estava acostumada aos olhares de pena e desprezo que lhes lançavam quando se aproximava das barracas, estava acostumada ao "pegue isso e suma daqui!", estava acostumada ao lixo e a sujeira que a cercavam desde sempre. Em sua tão jovem vida, já se sentia parte desse lixo, parte dessa sujeira. Estava contaminada. Se não, porque todos fugiam quando ela se aproximava? Porque todos aqueles olhares de desprezo e pena?
chegou ao pé do morro e começou a longa caminhada até seu barrraco, sabia que apanharia ao chegar em casa com frutas murchas, sua mãe sempre lhe batia por chegar com frutas dadas de mau gosto ao invés de frutas frescas surrupiadas furtivamente.
Dobrou a esquina de uma viela, cabisbaixa como sempre, da próxima vez teria que roubar, sabia disso, não haveria escapatória ou sua mãe acabaria por matá-la de tanto bater.
Com esses pensamentos em mente, nem percebeu o homem que subia correndo a rua até que passou por ela, viu o sangue que respingava da camisa dele, se encostou assustada ao muro, viu quando ele se virou e levantou a arma, mas não teve tempo de ver o outro homem que vinha no encalço deste, desesperada virou- se para correr, topou com ele bem no momento em que aquele que estava sangrando disparou...
Seus olhos se arregalaram por um segundo, ela pensou na surra que não mais levaria, e no roubo que não iria mais praticar, sorriu enquanto tombava com os olhos fechados, ao tocar o chão já não sorria mais. Estava morta.
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