É como um barco que parte com alguém dentro. . .
que parte . . .
É como sentir um membro que não existe, ou que pelo menos não se vê a olho nú ou mesmo trajado. Sente-se algo excitante, estimula a circulação desse órgão inexistente e o faz transbordar ilusão, escorrendo peito afora e cabeça a dentro. À noite se encharca, de dia a umidade o mantém vivo para um novo enxague noturno destes minérios, mistérios que o alimentam.
(Bruno Kalss)
Você tem medo de morrer, Noelle? Medo de nunca mais ver seus entes queridos? Você tem medo de sentir dor, a dor de saber-se só, partindo sem possibilidade de volta? O quê faria você, Noelle, se soubesse hoje seu último dia? E fosse para agora e para sempre o seu fim?
Mas você sabe, querida, que isso não é real; sabe que este sentimento nada mais é do que apego e segurança. Falsa segurança, que não te traz nada, que não te dá nada e que te esgota, te esgota... É como se hoje fosse o último dia de um grande tormento, revestido de sonhos, acrescido de açúcar, muito açúcar para disfarçar seu gosto ácido, e quente... Muito quente.
Ah, Noelle! Nestes dias tão quentes e úmidos, nestes dias tão seus. Sente só! O monstro que cresce dentro de ti levando toda sua sobriedade e equilíbrio! Sente só como é sufocante, como te empele a ser rude, a ser cruel! Você não é cruel Noelle, você é naturalmente doce, e ácida. É quente. você é naturalmente livre e sincera, você é naturalmente devassa e cálida, Noelle... Hoje você rasteja de um canto a outro tentando redescobrir seu lugar, não há. Hoje você olha ao redor o tempo todo como se buscasse alguém, não há. Hoje, Noelle, você se descobriu só, lamentavelmente só em um mundo que não é seu, e você sabe que ela está ali, logo à frente, ele também, pode doer e você terá medo. Tudo ficará para trás...Mas querida, você estará finalmente livre de algo que não é você...
Está perto Noelle, pule...Pule.
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