Quando mudamos para longe dos amigos e da família, o quê nos resta, guria? Resta-nos aderir a inclusão digital, e falar com pessoas que, se não são nossos amigos, ao menos não são também, inimigos, resta -nos falar sobre as coisas do dia, falar para apaziguar a alma, guria...Falar com amigos perdidos e reencontrados, falar das canções do hoje e do outrora, falar dos filmes, ruins, bons, medianos...falar por falar, falar porque a vida nos permite.
Uma brincadeirinha aqui e outra acolá. Falar porque é assim que a vida é, guria, nada de sentimentos exacerbados, nada de melhores amigos para sempre, mas porque, guria? Porque ser tão exigente? Vamos, fale! Pois quando mudamos para longe dos nossos, guria, os outros passam a ser os nossos também, ou isso ou a fala solitária, o eterno monólogo.
O diário escrito à meia luz, à meia noite, escondido sob o colchão, este pode existir, faça-o guria, mas não te esqueças que não há mal em falar um pouquinho aqui, é como conversa entre vizinhos, você fala, eles falam, mas diga -me, guria? Quantos conhecem a ti? Não, não precisa se mostrar, oculta-te, ou mostra- te sutilmente, deixe pistas, vestígios, armadilhas... É o que resta guria, e no mais, tens tu, não um, mas dois amigos perdidos e reencontrados, mudados sim, mas essencialmente amigos...Apazigue a alma guria e vá dormir...
uma singela homenagem.
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