Estranho é gostar tanto do seu all star azul... Não, estranho, é gostar tanto dos seus pés descalços, enlameados, denunciantes da infância plena, dos seus quase três aninhos...
Estranho, é chegar no sítio em Pedro de Toledo, e te esquecer em rodas de pessoas, em andanças pela chuva, em pinturas abstratas no chão da varanda... Estranho é gostar tanto das suas artes, do talco espalhado pelo chão da sala, dos riscos e rabiscos na parede do corredor.
Estranho, é marcar sua altura na parede e olhar para ela como se fosse uma extensão do seu corpinho quando você não está aqui, mas sim em um lugar distante aproveitando ao máximo o fato de ter bisavós, tias-avós, primas-tias, primas somente, de primeiro, de segundo... de quarto grau, todos dispostos a se encantar com sua visão de mundo, que é seu, que é meu, e que está marcado na parede aqui ao meu lado.
Uma altura, uma data, uma extensão de você. Estranho é buscar canais e, automaticamente, parar no Quintal da Cultura e, ainda que de forma inconsciente, cantarolar a música tema da Dora. Estranho é cheirar sua camisetinha caída atrás do sofá e sorrir com saudades ao constatar um cheirinho meio doce, meio azedo, de criança suada, e suja de suco de manga. Estranho é não gostar tanto deste silêncio, desta paz forçada que é a distância do meu baterista preferido...
Amor, mamãe está com saudades, quando você voltar, vamos deitar no sofá e conversar coisas espetaculares, vamos inventar histórias e cantar o tema de abertura de Dora, vamos desenhar paredes e portas e brincar de esconde-esconde, vamos apagar a luz pegar uma lanterna e brincar com a sombra até adormecer...
Volta logo meu guri, antes que este silêncio tome conta da minha alma.
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