estou ficando velha, os sulcos de preocupação entre minhas sobrancelhas se tornam cada dia mais evidentes. A marca do sorriso no canto dos lábios já não me deixa, ora sutil, ora sarcástica,sempre ali. Minhas olheiras já não são por conta de noitadas, e sinto, cada dia mais necessidade de um tempo em silêncio, só para mim e para minha ideias. Repudio a música nova, acho- a agressiva, não de uma agressividade poética e denunciante, ela simplesmente agride meus ouvidos. Repudio os bares novos, o futebol novo, e acima de tudo as boates, com homens e mulheres-objetos sem nenhum objetivo na vida a não ser rebolar feito cobras-mal matadas. Eu rebolava assim? deste jeito despreocupado e enjoativo? Será por isso que meus irmão que já sentiam as olheiras definitivas, os primeiros traçados de prata sobre a cabeça, me repudiavam? Não me lembro de descer até o chão com um estranho atrás na coreografia do acasalamento. Não com um estranho, não em uma boate, não com música psicodélica, não, não me lembro, não rebolei... Porquê não fazem simples bailinhos, de máscaras, de fantasias, de fins de mundo, de pijamas?
As pessoas novas também me cansam, assim como os velhos, carregam em si a mesma superficialidade, os mesmos preconceitos, egoísmos, narcisismos, sexualismos, todos os ismos de falsos puritanos. É inegável, estou envelhecendo, rápido demais, por fora e por dentro, meu retrato se deteriora, talvez seja tempo de pensar em parar de beber, em deixar o sangue circular livre e puro, talvez seja tempo de pensar em exílio, em auto-exílio para refletir melhor sobre auto-indulgência.
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